Reforma Tributária para Agência de Marketing: você vai pagar mais ou menos imposto?

A reforma tributária para agência de marketing não muda apenas a forma de calcular imposto. Ela mexe no fluxo de caixa, no modelo de nota fiscal e na própria precificação dos seus contratos.

Se você gerencia tráfego pago, coordena social media, contrata freelancer, usa ferramentas e atende lançamento, perpétuo ou recorrência, a resposta sobre pagar mais ou menos imposto depende quase inteiramente de uma coisa: como a sua estrutura de custos está organizada hoje.

Neste artigo, você vai ver o que muda na prática, um exemplo com números reais e o que precisa ser ajustado na sua agência antes que a cobrança comece de verdade.

 

Resposta direta

Agências com custos formalizados no CNPJ e nota fiscal em tudo tendem a pagar menos imposto com a reforma, porque passam a usar essas despesas como crédito. Agências que misturam CPF e CNPJ, contratam sem nota ou têm a maior parte do custo em folha própria tendem a pagar mais. A diferença entre os dois cenários pode passar de 30% do imposto devido no mês.

Os quatro pontos que definem o resultado:

  • CBS e IBS substituem PIS, Cofins, ICMS e ISS, com alíquota somada estimada entre 25% e 28%
  • Crédito: mídia paga, ferramentas e freelancers PJ, com nota no CNPJ e vinculados à atividade, abatem o imposto devido
  • Split Payment: o imposto sai direto para o governo na liquidação da nota, e a agência recebe só o líquido
  • Prazo: 2026 é fase de teste, a cobrança real começa em 2027 e a transição se encerra em 2033

 

O que muda: quatro tributos viram dois

PIS, Cofins, ICMS e ISS deixam de existir. No lugar deles entram dois tributos sobre o consumo:

  • CBS: tributo federal, que substitui PIS e Cofins
  • IBS: tributo estadual e municipal, que substitui ICMS e ISS

A alíquota final somando CBS e IBS ainda não está oficialmente fechada. A estimativa mais citada pelo Ministério da Fazenda gira em torno de 26,5%, e as projeções de mercado trabalham com uma faixa entre 25% e 28%.

Vale registrar um ponto que gera muita confusão: essa reforma trata apenas dos tributos sobre o consumo. IRPJ, CSLL e a contribuição patronal ao INSS continuam sendo recolhidos normalmente. Uma eventual reforma sobre a renda é outra discussão, para um segundo momento.

 

O modelo de crédito: seus custos passam a reduzir o imposto

Custos ligados à atividade da agência, contratados com nota fiscal no CNPJ, viram crédito de imposto e abatem o valor devido sobre a receita. Essa é a mudança com maior impacto financeiro para agências.

Hoje, o modelo de débito e crédito vale basicamente para empresas do Lucro Real, que aproveitam créditos de PIS e Cofins pela não cumulatividade. Com a reforma, ele passa a alcançar quem presta serviço em qualquer regime, inclusive empresas no Lucro Presumido e no Simples Nacional que optarem pelo regime híbrido.

Entram nessa conta, entre outros:

  • Mídia paga (Google Ads, Meta Ads e demais plataformas)
  • Ferramentas e softwares (CRM, automação, design, gestão de projeto)
  • Freelancers e prestadores PJ (redator, designer, editor, social media)
  • Serviços de terceiros contratados para entregar o projeto do cliente
  •  

Exemplo prático: R$ 2.800 de diferença em um único mês

Imagine uma agência que faturou R$ 25.000 no mês. No mesmo período, gastou:

DespesaValor
Tráfego pagoR$ 6.000
Ferramentas e plataformasR$ 1.500
Freelancers PJR$ 2.500
Total com nota no CNPJR$ 10.000

Aplicando uma alíquota de 28% sobre o faturamento, o imposto bruto seria R$ 7.000. Os R$ 10.000 de despesas com nota geram R$ 2.800 de crédito. O imposto final cai para R$ 4.200.

São R$ 2.800 de economia no mês, ou R$ 33.600 no ano, apenas por ter feito as despesas do jeito certo. Nenhuma manobra, nenhuma estrutura artificial: só nota fiscal no CNPJ da empresa.

A simulação considera fornecedores que destacam CBS e IBS integralmente na nota. Se parte deles estiver no Simples Puro, o crédito gerado é menor, e isso precisa entrar na conta antes de qualquer projeção.

 

O que não gera crédito (e isso muda a conta)

Folha de pagamento própria não gera crédito. Salário, encargos e pró-labore ficam de fora da conta. Se a sua agência é intensiva em equipe interna CLT e tem pouco custo com fornecedores PJ, a base de crédito é pequena e a alíquota cheia pesa.

Também não geram crédito:

  • Gastos no CPF do sócio, mesmo que sejam claramente da operação
  • Contratações sem nota fiscal
  • Bens e serviços de uso ou consumo pessoal dos sócios, ainda que a nota esteja no CNPJ

E há um caso intermediário que costuma passar despercebido na simulação: compras de fornecedor no Simples Puro geram crédito limitado, porque o crédito acompanha o tributo efetivamente recolhido dentro do DAS, e não a alíquota cheia. Dois fornecedores com o mesmo preço podem devolver créditos bem diferentes.

Essa é exatamente a razão pela qual duas agências com o mesmo faturamento podem terminar o mês com cargas tributárias muito diferentes.

 

Split Payment: o imposto sai antes de o dinheiro chegar

Split Payment é a separação automática do imposto no momento em que o cliente paga a nota fiscal. O tributo vai direto para o governo e na conta da agência entra apenas o valor líquido.

Hoje o fluxo é o inverso: você presta o serviço, emite a nota, recebe o valor cheio e paga o imposto depois.

Em números: uma nota de R$ 10.000 com alíquota de 28% significa R$ 12.800 pagos pelo cliente. Sua agência recebe R$ 10.000. Os R$ 2.800 seguem direto para o fisco.

O efeito prático é duro para quem não se preparar. Aquele hábito de segurar a guia por alguns dias e usar o valor como capital de giro deixa de existir, porque o dinheiro do imposto nunca chega a passar pela sua conta. Para agências que trabalham com contrato grande, recorrência ou antecipação de recebível, o planejamento de caixa precisa ser refeito antes, não depois.

Há um lado positivo. No novo modelo, o crédito do seu cliente só é válido se o imposto tiver sido efetivamente recolhido. Com o Split Payment, esse recolhimento é automático, o que elimina a discussão sobre comprovação de pagamento e torna a sua nota mais segura para clientes PJ que aproveitam crédito.

 

Simples Puro ou Simples Híbrido: qual faz sentido para a sua agência

O Simples Nacional continua existindo, mas passa a ter duas formas de operar. No Simples Puro, tudo continua dentro do DAS e não há direito a crédito. No Simples Híbrido, CBS e IBS são recolhidos por fora do DAS, com direito a tomar e repassar crédito.

 Simples PuroSimples Híbrido
Como recolheTudo dentro do DASCBS e IBS por fora do DAS
Direito a créditoNãoSim
Crédito para o cliente PJLimitadoIntegral
Melhor paraOperação enxuta, poucos fornecedores, cliente pessoa físicaEstrutura formalizada, muitos fornecedores PJ, cliente pessoa jurídica

Se a sua agência tem estrutura, contrata com nota, trabalha com fornecedores PJ e atende empresas que aproveitam crédito, o Simples Híbrido tende a ser mais vantajoso, tanto pelo crédito que você toma quanto pelo crédito que você repassa. Se a operação é enxuta e o cliente final não aproveita crédito, o Simples Puro costuma continuar fazendo mais sentido.

A escolha não é definitiva e poderá ser alterada a cada semestre. Ou seja, planejamento tributário deixa de ser um exercício anual e vira rotina de gestão.

 

O cronograma: o que acontece em cada ano

  • 2026: CBS e IBS passam a ser destacados nas notas em alíquota de teste (0,9% de CBS e 0,1% de IBS), compensável com PIS e Cofins. É a fase de adaptação de sistemas.
  • 2027: a CBS passa a ser cobrada integralmente e PIS e Cofins são extintos.
  • 2029 a 2032: ICMS e ISS vão sendo reduzidos gradualmente enquanto o IBS ganha força.
  • 2033: o modelo novo passa a valer por completo.

A leitura correta desse calendário é simples: a cobrança de verdade começa em 2027, e o que você fizer em 2026 define em qual dos dois cenários a sua agência vai cair.

 

O que ajustar na sua agência agora

  • Separar de vez CPF e CNPJ, sem exceção
  • Exigir nota fiscal de todo fornecedor, inclusive freelancer
  • Migrar prestadores recorrentes de pessoa física para PJ, quando fizer sentido
  • Mapear quanto do seu custo total gera crédito e quanto não gera
  • Revisar contratos e precificação, já considerando o destaque de CBS e IBS
  • Refazer a projeção de caixa considerando o Split Payment
  • Simular Simples Puro contra Simples Híbrido com os seus números reais
  •  

Perguntas frequentes

Agência de marketing vai pagar mais imposto com a reforma tributária? 

Depende da estrutura de custos. Agências com despesas formalizadas no CNPJ tendem a pagar menos por causa do crédito. Agências informais ou muito concentradas em folha própria tendem a pagar mais.

 

Tráfego pago gera crédito de imposto? 

Sim, desde que a nota esteja no CNPJ da agência e o investimento esteja vinculado à operação. Mídia paga no cartão pessoal do sócio ou sem documento fiscal não gera crédito.

 

Pagamento de freelancer gera crédito? 

Gera quando o freelancer é PJ e emite nota fiscal para a sua empresa. Pagamento a pessoa física sem nota não entra na base de crédito.

 

O que é Split Payment? 

É a separação automática do imposto no momento do pagamento. O cliente paga o valor cheio, o tributo vai direto para o governo e a agência recebe apenas o líquido.

 

Vale a pena sair do Simples Nacional? 

Não existe resposta única. O que define é a proporção entre receita, custos com crédito e perfil do cliente. A conta precisa ser feita com os números da sua empresa antes de qualquer decisão.

 

Quando a reforma começa a valer de verdade?

A cobrança efetiva começa em 2027 com a CBS. 2026 é ano de teste e adaptação, e a transição completa se encerra em 2033.

 

Qual a diferença entre CBS e IBS? 

A CBS é o tributo federal, que substitui PIS e Cofins. O IBS é o tributo estadual e municipal, que substitui ICMS e ISS. Os dois incidem sobre o consumo e funcionam no mesmo modelo de crédito.

 

A reforma tributária muda o IRPJ e a CSLL da agência? 

Não. Essa etapa trata apenas dos tributos sobre o consumo. IRPJ, CSLL e a contribuição patronal ao INSS continuam sendo recolhidos nas regras atuais.

 

Agência precisa mudar a precificação por causa da reforma? 

Na maioria dos casos sim. Com CBS e IBS destacados na nota e o Split Payment retendo o imposto na liquidação, o valor que entra em caixa muda, e contratos de longo prazo ou recorrência precisam ser revistos antes de 2027.

 

O que a agência deve fazer em 2026?

Formalizar fornecedores, exigir nota fiscal de todos os prestadores, separar CPF de CNPJ, mapear quanto do custo gera crédito e simular Simples Puro contra Simples Híbrido com os números reais da empresa.

 

Contabilidade especializada em agências de marketing

A Acountech é uma contabilidade 100% digital e atende agências em todo o Brasil. Somos especializados no mercado digital, o que significa que entendemos como funciona a operação de uma agência na prática: repasse de mídia, freelancer, ferramenta, lançamento, recorrência e contrato de gestão.

Analisamos a estrutura da sua agência, simulamos os cenários com os seus próprios números e montamos um planejamento realista para que você pague menos imposto de forma legal, dentro das novas regras.

Se quiser entender qual modelo faz mais sentido para o seu caso, fale com o nosso time.

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